segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

 Zizi Possi - A Paz

A Paz está em nossas mãos

Nosso maior desafio é transformar os valores da Cultura de Paz em realidade na vida cotidiana.
Preparar a paz, portanto, significa:
• respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa, sem discriminar nem prejudicar;
• praticar a não-violência ativa, repelindo a violência em todas suas formas: física, sexual, psicológica, econômica e social, em particular ante os mais fracos e vulneráveis, como a crianças e os adolescentes;
• compartilhar e cultivar a generosidade, a fim de terminar com a exclusão, a injustiça e a opressão política e econômica;
• defender a liberdade de expressão e a diversidade cultural, privilegiando sempre a escuta e o diálogo;
• promover um e um modelo de desenvolvimento que tenha em conta a importância de todas as formas de vida e o equilíbrio dos recursos naturais do planeta;
• contribuir com o desenvolvimento de minha comunidade, propiciando o respeito para criar novas formas de solidariedade.
A Cultura de Paz se insere em um marco de respeito aos direitos humanos aos valores fundamentais da vida democrática, como a igualdade e a justiça social.

A paz para os jovens

A transformação dos valores de uma cultura de guerra e violência para valores de uma Cultura de Paz e Não-Violência é o maior dos desafios que temos pela frente, em escala planetária. A violência transborda pelos meios de comunicação, inunda o dia a dia.

A paz no cotidiano:

É

Respeitar a vida
Rejeitar a violência
Ser generoso
Ouvir para compreender
Preservar o planeta
Redescobrir a solidariedade

Respeitar a vida

“Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças”

Provérbio hassídico

Pensar que a vida, que existe há tão pouco tempo, já está ameaçada.
Dizem os biólogos que uma espécie viva está desaparecendo
do planeta a cada vinte minutos.

A violência nas grandes cidades vitima milhares de pessoas, principalmente jovens.
Um simples apertar de gatilho interrompe uma vida jovem, com sonhos, paixões, talentos.

Temos que praticar o máximo que pudermos o resgate da vida, a defesa da vida, o respeito à vida.

A vida é criativa.
Observe as folhas de uma árvore. Se olhar atentamente, perceberá que não existe uma folha igual à outra! O mesmo acontece quando observamos as multidões caminhando pelas ruas: quantas pessoas diferentes umas das outras! Na família humana, em todo nosso planeta, abraçamos um número imenso de raças, culturas, religiões, visões de mundo, valores…

Rejeitar a violência

“O primeiro princípio da ação não-violenta é a
não-cooperação com tudo que é humilhante”

Mahatma Gandhi

Recorrer à violência significa abrir mão de tudo o que aprendemos conquistamos durante um processo milenar de civilização.

Se dirigirmos nossa indignação ao alvo errado, isto é, se combatemos o agressor, em vez de combater a agressão, perdemos a oportunidade de estabelecer uma nova relação com o outro. Além de, em grande parte dos casos, alimentarmos o ciclo vicioso da violência, quando a vítima reage, se tornando um novo agressor.

Ser generoso

“A generosidade - o amor - é o fundamento de toda socialização porque abre um espaço para o outro ser aceito como ele é. E, a partir daí, podermos desfrutar sua companhia na criação do mundo comum, que é o social”

Humberto Maturana


A generosidade não é um direito, tampouco um dever. Ela nos humaniza e nos mostra que, no essencial, somos todos iguais: evitamos sofrer; buscamos felicidade, paz, justiça, realização; desejamos ser queridos e respeitados.


Uma das características mais evidentes da generosidade é essa naturalidade que dispensa qualquer tipo de recompensa, que se satisfaz em si mesma.
Outra é a liberdade: ninguém é obrigado a ser desprendido nem a estar disponível para os outros.
Mas todos gostaríamos de ter essas atitudes porque inspiram confiança e criam uma atmosfera amigável à nossa volta.
Isto nos leva a pensar que a generosidade também é contagiante.
Envolve a quem dá e a quem recebe, eleva a auto-estima de ambos.

Ouvir para Compreender

“Em um diálogo não há a tentativa de fazer prevalecer um ponto de vista particular, mas a de ampliar a compreensão de todos os envolvidos”

David Bohm


Se estamos disponíveis ao diálogo, que
não precisa ser constituído por palavras. Em certas ocasiões, olhares, gestos, toques e até silêncios são mais eloqüentes que discursos!
Os preconceitos, a intolerância, os fanatismos, as supostas “certezas” são os maiores entraves para estabelecer linhas de comunicação e relacionamentos confiáveis, onde a reciprocidade e o respeito mútuo semeiam o terreno do entendimento. Culturas diferentes,
crenças diferentes, modos de pensar diferentes, valores diferente não são necessariamente fonte de divisão, muito menos de confronto. Afirmar a própria identidade pela negação dos outros
empobrece e compromete o desenvolvimento pessoal. Com essa atitude, em vez de valorizar a originalidade, as diferenças que todos temos a oferecer, gastamos nossa energia em confrontos com tudo aquilo que é diferente.

…na história da nossa espécie, o que nos une é muito maior do que o que nos separa.